“Meu amigo me contou que quer morrer e eu fiquei mal”

Trabalhando com adolescentes, na clínica e na escola, por tanto tempo, já ouvi essa frase. Além de ser bastante doloroso saber que uma pessoa próxima não quer mais viver, a situação fica um pouco mais delicada quando se trata de adolescentes, menores de idade, ainda não responsáveis completamente sobre si.

No Setembro Amarelo, fala-se muito sobre falar e ouvir, mas é importante frisar a condição que o sujeito tem de suportar ouvir, e o que faz, a partir do que escuta.

Em situações como essa, é comum que os adolescentes experimentem:

Sensação de impotência: o adolescente gostaria de ajudar, mas não sabe o que fazer nem dizer; gostaria muito de “tirar essa ideia”da cabeça do amigo, mas não sabe como; ele se nega a aceitar que não tem recursos para isso.

Culpa: sentimento de que não sabe, mas “deveria” saber o que fazer; deveria ter prestado mais atenção no amigo, saído mais com ele, conversado mais, ter sido mais amigo, pois, assim, “ele não estaria se sentindo tão mal”.
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Tristeza: de forma intensa, com desejo de se livrar do sentimento, mas vendo-se “egoísta”por pensar assim em si, enquanto o amigo não está bem.

Dilema moral: em alguns casos, o amigo em sofrimento e com ideação suicida, pede segredo, e o adolescente sabe que precisa dizer para alguém, pois o outro precisa de ajuda, mas se sente paralisado porque não quer trair a confiança do amigo que lhe confiou este segredo, e então, sente-se guardando uma informação tal qual “uma bomba relógio”.
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Diante disso, é fundamental que o adolescente (que ouviu o amigo) recorra a canais de ajuda especializados, divida sua preocupação e sentimentos com um adulto próximo, de confiança, seja em família, na escola, no curso, na igreja, na ONG, para que o adolescente em sofrimento receba a atenção e o tratamento adequados.

O suicídio é um questão multifatorial. Um fator isolado não determina que ele aconteça, assim como uma “frase mágica”não põe fim a uma ideação suicida. A psicoterapia faz parte do tratamento apropriado para pessoas que estão em sofrimento psíquico.

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E se não gostarem de mim?

É um verdadeiro malabarismo. Um vai e vem. Ao tempo em que o adolescente se aproxima dos amigos, compartilha ideias, afinidades e interesses, troca as

Formação e Supervisão

Encontros, rodas de conversa e palestras sobre temas relacionados à Infância, Adolescência, Desenvolvimento, Educação, Escola, Psicologia escolar, Escolha profissional e Psicanálise.

Supervisão para profissionais em Psicologia Clínica (Psicanálise) e Psicologia Escolar.

Orientação Parental​

Escuta e orientação especializadas a pais e/ou responsáveis por adolescentes em temas que atravessam os adolescentes, jovens e suas famílias (relacionamento familiar, relacionamento com os pares, relação com a tecnologia, ansiedade, autoimagem, autoestima, autonomia, disciplina, educação, independência, sexualidade, escolha profissional dentre outros). Ocorre, no mínimo, em duas sessões, e podem repetir-se regularmente.

Orientação Profissional (vocacional)

Suporte especializado para adolescentes e jovens tomarem suas decisões em relação à escolha profissional.

A OP ocorre em 10 sessões, em média. Com o trabalho, o jovem amplia o conhecimento sobre si próprio (aptidões, interesses, habilidades, valores, influências familiares), informa-se sobre as profissões, as carreiras e o mercado de trabalho (o que faz, a rotina, o percurso de formação), entende seu propósito de vida e inicia seu projeto de vida inicial (estabelecimento de objetivos e ações práticas). Todo este percurso capacita o orientando a fazer uma escolha mais madura, consciente e responsável.

Psicoterapia individual

Tratamento com os objetivos de apoiar o paciente em seu desenvolvimento, promover saúde mental e proporcionar condições para o enfrentamento de conflitos e de questões de ordem psíquica e emocional. Ela ocorre na modalidade presencial e/ou on-line.

A psicoterapia é um tratamento de médio a longo prazo. São necessários o estabelecimento de vínculo terapêutico, tempo, técnica e investimento afetivo do sujeito.

Na psicoterapia infantil, lança-se mão de recursos lúdicos que possibilitam a expressão da criança nas mais diversas formas. Para o adolescente, há também recursos apropriados para a faixa etária e necessidade.