Não vou dar conta de trabalhar de casa e acompanhar as atividades do meu filho; não vou dar conta de ficar o dia todo com minha mãe e não brigar com ela; não vou dar conta de fazer todas as atividades da escola/faculdade; não vou dar conta de ficar longe de meu/minha namorado/a.
Não mesmo. Você não vai dar conta de tudo. Vai dar conta de umas coisas num dia, e de outras, noutro dia. Tem coisa que você não vai dar conta mesmo.
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“Eu sei que não vou dar conta”.
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Ouvi essa frase três vezes de pessoas diferentes na última semana.
A frase parece a conclusão de um percurso de reflexão e sofrimento.
O curioso é que naquelas falas havia pesar e dor. Elas falavam como se soubessem claramente de que estava tudo bem não dar conta de tudo. Mas, o que eu OUVIA no que NÃO era dito eram seus gritos internos: “Eu vou dar conta sim! Eu vou dar conta sim! Eu vou dar conta sim!”.
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Insistiam contra si próprio/as negando essa condição humana: o limite. O “não pode tudo”.
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Com essa interpretação, se reconheceram, se viram no espelho. Choraram. E cada uma foi/vai fazer algo com isso.
É tão pesado esse imperativo de super homem e mulher maravilha! Nas condições em que vivemos, então!
Mas quem nunca?
Falar pode mudar muito.
A análise é um caminho para se ouvir, se entender e fazer novas escolhas. Às vezes, difíceis, mas possíveis.




